Relatório da Human Rights Watch pede que governos brasileiro, indiano e sul-africano ajudem a interromper o massacre de opositores no país
A ONG Human Rights Watch criticou duramente o Brasil, a África do Sul e a Índia, que integram o bloco Ibas, por não usarem toda a sua "crescente influência global" para interromper o derramamento de sangue na Síria, onde, segundo a ONU, cerca de 3 mil pessoas foram mortas desde a eclosão dos protestos.
"Os líderes do Ibas não podem se sentar e observar a Síria implodir. Seus esforços de diálogo privado (com o regime do presidente Bashar Assad) não resultaram em nada e centenas de sírios morreram", disse Nadim Houry, diretor da Human Rights Watch para o Oriente Médio.
A crítica foi feita às vésperas da cúpula dos chefes de Estado dos três países, que começa hoje na África do Sul, com a presença da presidente Dilma Rousseff. Nos últimos meses, o Ibas tem mantido um diálogo para tentar convencer Assad a promover uma transição pacífica para a democracia.
Para Houry, os países do Ibas erraram quando não apoiaram uma resolução no Conselho de Segurança da ONU no dia 4. "Ao se absterem, Brasil, Índia e África do Sul fortaleceram o governo sírio e sua violência contra os manifestantes. Suas desconfianças (dos três países) dos motivos do Ocidente não devem cegá-los diante dos abusos do governo (de Assad). O atual comportamento da Síria é contra os ideais democráticos dos países do Ibas", afirma o diretor do Human Rights Watch.
Na avaliação dele, a reunião, que será realizada em Pretória, seria uma ótima oportunidade para o Ibas dar um recado mais duro para Damasco. De acordo com Navi Pillay, alta comissária para direitos humanos da ONU, os acontecimentos na Síria podem ser classificados como crimes contra a humanidade.
O Brasil, assim como a África do Sul e a Índia, já condenaram o regime de Assad algumas vezes por causa da violência. No entanto, os três acham que também é necessário criticar grupos armados da oposição em qualquer forma de resolução contra a Síria. Eles levam em conta ainda a enorme popularidade de Assad no país.
Em recente viagem à Síria, o Estado verificou que o regime reprime de forma violenta manifestantes pacíficos, matando e torturando centenas, ao mesmo tempo em que trava uma espécie de guerra civil contra facções armadas da oposição.
Forças dissidentes também estariam envolvidas nas mortes de civis partidários de Assad, que tem grande apoio entre as minorias cristãs, alauitas, drusas e entre os sunitas laicos da elite de Damasco e Aleppo. A ONU, na semana passada, confirmou que o cenário da Síria hoje se aproxima mais ao de um conflito civil.
Fonte: O Estadão - 17 Out 2011
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